LUZ, CÂMERA, AÇÃO… E 6K FULL-FRAME: POR QUE A CANON EOS C400 ESTÁ MUDANDO O JOGO?
Cinema
11-02-2026
Se você é da área, já deve ter sentido: a transição do cinema digital para o full-frame não é só uma questão de “moda”. É uma mudança de linguagem. E quando a Canon resolve entrar de cabeça nesse território com uma câmera de cinema dedicada, montagem RF e um sensor 6K recém-desenhado, é melhor prestar atenção.
Recebemos a Canon EOS C400 para testes e, depois de alguns dias de gravação pesada — do estúdio controlado ao cenário precário de run-and-gun —, podemos dizer: essa câmera não é apenas mais uma no catálogo. Ela é uma resposta direta a quem pede mais cinema com menos complicação.
A seguir, um olhar sem filtro sobre o que essa full-frame entrega para o mercado audiovisual.
O SENSOR: 6K FULL-FRAME COM ALMA DE CINEMA
A C400 chega equipada com um novo sensor full-frame CMOS de 6K, desenvolvido pela própria Canon. Não é o mesmo sensor da C70, nem da C500 Mark II. É um meio-termo inteligente: resolução suficiente para reframes, reframes e mais reframes, sem gerar arquivos monstruosos que exigem um datacenter em casa.
O grande trunfo aqui é o dual gain output (DGO). Quem já rodou com a C300 Mark III conhece a mágica: o sensor lê o pixel duas vezes, priorizando faixa dinâmica em altas luzes e redução de ruído nas sombras. O resultado é uma imagem limpa, com textura orgânica e aquela sensação de “filme” que falta em tantas câmeras mirrorless travestidas de cinema.
MONTAGEM RF: ADEUS, ADAPTADORES?
Sim, é uma câmera com mount nativo RF. E antes que você pergunte: sim, ela aceita lentes EF via adaptador — e mantém autofoco e metadados. Mas o verdadeiro barato está em usar as novas lentes de cinema da Canon com montagem RF. A comunicação entre corpo e lente é instantânea, e a correção de aberrações é aplicada diretamente no arquivo RAW.
Para quem já tem um parque de lenses EF, a transição é suave. Para quem está começando agora, o caminho é RF. A Canon está deixando claro: o futuro passa por aqui.
AUTOFOCO QUE ENTENDE DE CENA
Se você é DOP e torce o nariz para autofoco, respira fundo. O sistema Dual Pixel CMOS AF II da C400 é, simplesmente, o melhor que já vi numa câmera de cinema. E não é só por pegar foco rápido. É por entender o que está na frente da lente.
Durante um teste de entrevista com duas pessoas em planos diferentes, a câmera priorizou corretamente quem estava falando, mesmo com movimentação lateral. Você pode ajustar velocidade e sensibilidade da perseguição, e ainda mapear rostos previamente. Para eventos, documentários e até take lists absurdas de comerciais, isso é economia de tempo — e dinheiro.
CORPO MODULAR: QUEM RIGA SABE
A C400 não é uma câmera para pendurar no pescoço. É um corpo pensado para rig. O design é modular: você pode remover a alça superior e o suporte lateral, reduzindo peso e tamanho. Melhor: o conector Ethernet/RJ-45 está lá, nativo — algo que há muito se pedia para integração em estúdios virtuais e multi-câmera.
Temos também entradas BNC para timecode, genlock, e saída 12G-SDI. Sim, ela conversa com equipamento de broadcast e cinema sem frescura.
CODECS E MÍDIA: FLEXIBILIDADE SEM DOR DE CABEÇA
A C400 grava internamente em XF-AVC, XF-HEVC e Cinema RAW Light. O destaque vai para o 6K RAW Light a 60p e 4K até 120p com crop leve. Os arquivos RAW da Canon são conhecidos por serem mais leves que a concorrência, e isso continua verdade. Você mantém latitude absurda para color grading sem precisar de um RAID de SSDs.
E o melhor: mídia CFexpress tipo B. Nada de cartões proprietários de preço extorsivo.
Destaques técnicos (pra não esquecer):
Sensor Full-frame 6K com DGO
Montagem RF (compatível com EF via adaptador)
Dual Pixel CMOS AF II com detecção de pessoas, animais e veículos
Até 16 stops de faixa dinâmica
12G-SDI, Timecode, Genlock, Ethernet
Duas slots CFexpress + 1 SD/UHS-II
Filtros ND integrados (2 a 8 pontos)
Suporte a LUTs direto no monitor LCD
Design modular e leve para o segmento
E AÍ, VALE O INVESTIMENTO?
A EOS C400 chega num momento em que o mercado está saturado de “câmeras que filmam 8K mas esquentam em 10 minutos”. Ela não promete ser tudo para todos. Ela é uma ferramenta cirúrgica para quem precisa de imagem de cinema com fluxo de trabalho enxuto.
Se você trabalha com produções híbridas — comerciais, documentário, videoclipes —, essa câmera é uma estação de trabalho completa. Se você esperava uma C500 Mark III com alça e painel EVF, talvez se decepcione. Mas se você quer uma câmera que resolve, que entrega cor, contraste e fluidez sem precisar de uma equipe de pós dedicada, a C400 é uma candidata fortíssima.
A Canon continua ouvindo o set. E dessa vez, acertou o tom.
Você já testou ou está de olho na C400? Qual montagem tem usado nas suas produções? Vamos trocar ideia nos comentários.
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